A era da consulta virtual

Serviços de telemedicina e outros atendimentos a distância são liberados no país com a Covid-19. Conheça as vantagens e os cuidados com a tendência.

Aprovada no dia 15 de março, a Lei nº 13.989 estabelece o uso da telemedicina, em caráter emergencial, enquanto durar a pandemia do coronavírus. Ela compreende “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e promoção de saúde”. O profissional deve seguir os padrões, inclusive éticos, do atendimento presencial e informar ao paciente as limitações da consulta remota, como a impossibilidade de realizar exames físicos. Terminada a crise, outra lei terá que ser criada para mediar a prática.

“A telemedicina existe para facilitar o acesso do paciente ao profissional de saúde. A consulta virtual não veio para substituir a consulta presencial. Veio para melhorá-la”, explica Donizetti Giamberardino, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM). “Ela é bastante útil quando o paciente já foi atendido pelo médico e, eventualmente, precisa de algum exame complementar ou quando é portador de doença crônica, como hipertensão ou diabetes. O ideal é que, salvo em situações de necessidade ou em lugares distantes, como a Amazônia, a primeira consulta continue a ser presencial”, salienta o médico.

A teleconsulta entre profissional e paciente é uma das muitas formas de telemedicina. Há outras modalidades: teleinterconsulta, quando o médico solicita uma segunda opinião a outro especialista, com ou sem a presença do paciente; telemonitoramento, quando alguém com doença crônica passa os resultados dos seus exames para o médico avaliar; e até teleUTI, quando um médico sênior intensivista realiza visitas aos leitos a distância.

Até mesmo a impossibilidade de fazer exames físicos, apontada como uma das principais desvantagens da telemedicina, já pode ser contornada com dispositivos eletrônicos. Existem engenhocas que checam a pressão arterial, auscultam os pulmões, examinam a garganta…

“A consulta física e a virtual são complementares, e não excludentes. Uma não elimina a outra”, sentencia Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista, que, desde 2012, oferece serviços de teleatendimento. “A tendência é que, no futuro, a consulta seja iniciada de forma virtual e, caso o médico julgue necessário, uma consulta presencial será agendada para complementar”, prevê. Com a pandemia, o Einstein registrou um aumento de 1 330% nas teleconsultas (de 70 para mil por dia) e de 2 400% nos teleatendimentos (de 200 para 5 mil por dia).

Entre os prós e os contras da assistência remota, o cirurgião torácico Hassan Neto, gerente médico do Grupo Leforte, acredita que as vantagens prevalecem. Hoje, além de garantir o isolamento social, a telemedicina evita deslocamentos desnecessários e gastos supérfluos, com trânsito, estacionamento e combustível, por exemplo. “O paciente ainda poderá escolher onde se sente mais à vontade, em casa ou no consultório”, destaca Neto.

Entre as desvantagens, ele cita duas dificuldades: fazer exame físico e conquistar a empatia do paciente. Outro ponto crítico: nem todos os convênios cobrem o serviço.

Muito além da medicina

A telemedicina não é privilégio de instituições ou médicos particulares. Desde abril, o Ministério da Saúde disponibiliza o TeleSUS, serviço de atendimento a distância que, por telefone, chatbot ou aplicativo, já foi acessado por 5,7 milhões de brasileiros. Desses, 2,4 milhões tiraram dúvidas sobre os sintomas da Covid-19 e se consultaram com um profissional de saúde sem sair de casa — uma senhora vantagem em tempos de coronavírus. Outras categorias, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, também passaram a encorpar a tendência da telessaúde na esteira da pandemia.

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